terça-feira, 18 de dezembro de 2012
"O lugar é você quem faz"
Admito que demorei bastante para entender o real significado de cada uma dessas palavras, demandei bastante energia pensando nelas de uma forma solta, aleatória. O sentido veio quando eu percebi que a resposta estava no amor de Deus.
Muitos me disseram, quando você voltar pro Brasil vai sentir aquela crise "pós", pós-Europa, pós-viagem, pós-primeiro mundo; e "pós" por aí vai...
Essa minha "crise" veio de uma forma diferente, chegaria inevitavelmente, independente de ter saído sim ou não do Brasil. E sabe por quê?!
Porque nós não precisamos de muitos enredos para viver uma crise ou criar a típica tempestade num copo d'água. Nesse sentido uma gota de conflito nos basta!
Seja uma mudança de trabalho, término de um namoro, estudos e etc; qualquer situação que esteja fora do nosso controle entra na categoria de "desconhecido", e automaticamente se torna o NOVO que nos causa MEDO.
Só podemos experimentar a plenitude do significado desta frase: "o lugar é você quem faz" quando realmente entendemos QUEM SOMOS, qual é a nossa identidade.
Quando permitimos que situações, coisas ou pessoas nos digam QUEM SOMOS nós falhamos.
"os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra.
os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito, aos quais iam sendo dia a dia formadas, quando nenhum deles havia ainda." (Salmos 139:15-16)
Todas as vezes que decidimos dar ouvidos aos outros sobre QUEM SOMOS permitimos que roubem de nós a verdade, porque só Deus pode nos dizer QUEM REALMENTE SOMOS, Ele nos criou.
Sem precisar fazer uma busca detalhada em minha memória, consigo lembrar de diversas situações em que ouvi e senti palavras duras como esta:"isso não é pra você, não esperava que você fosse conseguir, você não é capaz, desista, se eu fosse você nem tentava..".
A verdade é que até o fim de nossas vidas vamos lidar com essas frases ferinas. E se as escutamos, elas começam a definir quem somos, nos cercam de medo, covardia e fracasso pessoal.
Mas, quando buscamos a resposta em Deus evitamos fadiga, não corremos na intenção de a todo custo agarrar o vento e sim apreciá-lo.
"Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.
Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
E buscar-me-eis, e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração." (Jeremias 29:11-13)
Escrevendo essa reflexão lembrei de uma música (HOW HE LOVES), em português ME AMA cantado pelo Diante do Trono. Um trecho da música diz:
"Eu não tenho tempo pra perder com ressentimentos
Quando penso que Ele
ME AMA"
De um tempo pra cá decidi, todos os dias ao acordar perguntar pra Deus incansavelmente: Jesus, QUAL É A MINHA IDENTIDADE?
Preciso todos os dias guardar essa resposta em meu coração e me proteger em seu amor.Quando entendemos e aceitamos o amor dEle por nós começamos a perceber que todo o resto é PERDA DE TEMPO, aflição boba de espírito.
"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.
Nós amamos porque Ele (Jesus) nos amou primeiro." (1 João 4:18-19)
Meu mais sincero desejo é que possamos (me incluo nisto) parar de perder tempo e apenas desfrutar, viver em plenitude tudo que por Amor Ele já preparou para nós mesmo no meio das dificuldades, desafios e problemas.
Quando sabemos quem somos temos convicção de que Ele não nos abandona independente das circunstâncias.
Se escolhemos perder tempo com ressentimentos, medos, conflitos não recebemos o amor dEle e consequentemente não conseguimos AMAR o próximo (família, amigos, desconhecidos), não conseguimos fazer o que deve ser feito com a certeza de QUEM SOMOS nEle.
Tudo começa e termina no AMOR, em Cristo Jesus e o calvário (não consigo imaginar maior prova de amor do que esta!).
"O lugar é você (através do AMOR dEle) quem faz".
No Amor do Pai,
Shay
sábado, 23 de junho de 2012
pés andarilhos
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Não precisam me dizer que estou sumida, estou me sentindo uma mãe desnaturada, uma filha desajuizada que não dá notícias..rs
Vou contar pra vocês o que passa, tenho viajado bastante, aproveitei os feriados e mini-férias que eles tem aqui para conhecer outros países: Espanha (Barcelona), Portugal (Porto), Marrocos (Fes e Marrakesh), Inglaterra (Londres) e mais umas cidades da França. E sim, estou com uma quantidade absurda de fotos para editar, tratar e postar.
Deixando vocês por dentro dos últimos acontecimentos além das viagens, infelizmente não fui selecionada para expor em julho, mas só o fato de ter participado da seleção, ter mostrado meu projeto e recebido uma análise crítica já me deixou muito feliz.
No último mês meu projeto oficial ganhou a cara que eu queria, depois de muito trabalho e paciência, agora rever as fotos me deixa com um sorriso tímido de satisfeito nos lábios.
Hoje meu post será dedicado ao projeto: Arquitetura Romana - Arles.
Até chegar em Arles o projeto que eu tinha em mente era um pouco diferente, mas com o passar do tempo foi ficando mais concreto e diferente da ideia inicial.
Arles tem 4 grandes patrimônios histórico da época do Império Romano, além de muros em ruínas espalhados pela pequena vila, eles foram tombados pela Unesco e antes que eu tivesse ideia disto tinha decidido fotografar a Arquitetura Romana da cidade, até que quando fui visitar o "Musée départemental - Arles antique" (um museu destinado às coleções arqueológicas da cidade de Arles) descobri que este ano é o 30º aniversário de tombamento pela Unesco dos monumentos do império Romano da cidade.
Neste momento tive convicção de que estava no caminho certo... e da convicção ao resultado final o caminho é árduo, viu?! rs
Com as referências recebidas pelos professores, livros e outros alunos, percebi que precisava me arriscar no fotografia em filme preto e branco. Decidi abraçar a ideia de voltar para o analógico, para a grande probabilidade de perder filmes, de horas a fio digitalizando películas, dos retoques no photoshop e da alegria do resultado.
Perdi a conta das inúmeras vezes que voltei aos mesmo lugares para fotografar, das películas perdidas, da revelação errada, e N outros contratempos. No fim, não tem nada mais gostoso do que ver uma foto literalmente, nascendo.
Este ensaio tem como objetivo mostrar detalhes da arquitetura Romana (através de formas geométricas, composições, texturas e sombras) ainda existentes na cidade através desses imponentes monumentos.
Pelo blog vou postar parte do projeto, no post seguinte falo mais sobre as viagens acompanhada de fotos.
Beijos,
Shay
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Um tour por Paris
Oiii,
por aqui tudo bem. Espero que por aí também!
Esse post tão comentado, planejado e prometido está tão "gordo" de informações que não sei por onde começar. Vamos conversar sobre Paris "mes amis"!
Antes de qualquer coisa, só um detalhe, serei muito sincera.
Porque afinal, também estamos aqui pra falar abertamente sobre as partes não tão legais de um intercâmbio, ora bolas.
De Arles até Paris, de trem, 4h de viagem. Lindas paisagens, um bom playlist no iPod e rumo a..., a... a minha primeira indignação em solo Parisiense! Pisei na estação, lotada de pessoas (que mais pareciam formigas) indo de um lado para o outro. E eis que a indignação bate em minhas narinas, um cheiro de xixi insuportável. Ou gente, pera lá (estou no primeiro mundo, confere?!)!! Não estou falando nas ruas, eu disse, DENTRO da estação!
Ok, passada a primeira impressão sem dramas e grandes traumas olfativos cheguei na casa de uma amiga, fica a 40min de trem do centro. O que pra mim foi muito bom, consegui conhecer um bairro menor, reservado e sem a correria do Centro.
Apesar do mal cheiro de algumas (várias) estações, a sujeira e aglomeração o transporte metroviário funciona que é uma maravilha (pelo menos nos dias que estive em Paris), sempre pontual e com linhas que cobrem tranquilamente todo o roteiro turístico (e além).
Na primeira, como foram poucos dias, resolvi andar, andar e andar. Queria ter a certeza que estava lá e pelo menos passar na frente de todos os pontos turísticos possíveis em uma só caminhada: Louvre, Torre Eiffel, Rio Sena, Trocadeiro e etc.
Já na segunda vez, decidi me dedicar aos museus, menos o Louvre (ficou para a terceira visita, em Maio): Museu d'Orsay, Museu Jeu de Pomme (fotografia), Museu du quai Branly, Museu le Grand Palais.
Além das inúmeras opções, escolhi estes porque tinham exposições que me interessavam, mas Paris respira arte e pra quem vive disso visitar à cidade é obrigatório pelo menos uma vez na vida.
Imagina, você entrar nos museus e ver estudantes de desenho, artes plásticas, arquitetura, fotografia... sentados no chão desenhando, pirando sozinho, fazendo esboços, escrevendo poemas ou descansando mesmo, alguns museus levam um dia inteiro para conhecer. Acredite, é muito fácil se deparar com o inusitado em Paris, desde comportamento ao estilo do tradicional Parisiense.
Tirando meu desejo súbito e devastador de querer morar pra sempre em Paris, trabalhar em algum museu/galeria com fotografia e viver de arte. Paris realmente tem seus encantos a qualquer hora do dia e estação do ano!
O melhor momento foi, esquecer do mapa que estava dentro da bolsa, andar pelas ruas como se fossem velhas conhecidas, entrar em boutiques de marca, brechós, ver cardápio de restaurantes, quando entre uma rua e outra você, de repente, dá de cara com uma torre (uuuuooouuu!), assim, bem sem graça sabe?! Tão sem graça que você sente vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Isso na primeira vez, na segunda você acha fantástico, mas, sem fazer escândalos.
E como eu sempre penso, as reações humanas muitas vezes são refletidas em comportamentos inesperados. Pra exemplificar, um relato: Estou eu, andando numa avenida que obviamente eu não sei o nome, como uma Parisiense nascida e vivida, quando duas meninas no sentido oposto ao meu se deparam com a Torre entre uns prédios e começaram a gritar, pular se abraçar tudo ao mesmo tempo, parecia que elas tinham visto um astro do pop rock, o mais cobiçado do momento. O que deixou minha “humilde” reação parecer tão sem empolgação, mas não menos emotiva. rs
Conclusão: Paris é roteiro necessário, sem dúvida. Você encontrará muitas coisas boas, terá recordações deliciosas, muitas histórias pra contar. Aquele charme e romantismo dos casais ao pé da Torre é real, acredite! Por outro lado, não tenha o sonho dourado de pensar que tudo é limpo, cheiroso, que não vai ter gente querendo que você compre mini torrezinha nos pontos turísticos, que você não vai enfrentar MUITA fila e que terá que dividir uma tela de Picasso, Van Gogh com trinta cabeças. E por último, mas, não menos importante, também não posso dizer que você não vai encontrar nenhum brasileiro que te faça sentir vergonha alheia, ao ponto de querer se esconder dentro de uma sacola. Mas, faz parte, né?!
Agora falando de Arles, voltei de Paris com a "agenda" cheia. Tive mais uma entrevista para a seleção dos fotógrafos da exposição em julho, agora é a parte 3, enviar fotos e ficha técnica por email, esperar o resultado (sai dia 27/04) e torcer, é claro!
No feriado da Páscoa a cidade estava em festa, além disto teve a Corrida do touro. Comprei meu ingresso, pensei, afinal em pleno século XXI não deve ser tão pavoroso!
Pavoroso foi elogio para o que meus olhos viram, assistir 6 touros morrerem em 2h30min de "espetáculo" e ainda escutar um público digno de estádio de futebol aclamando o toureiro assassino, foi demais pra mim. Me rendeu umas duas noites de pesadelo! Eu entendo que é cultural, mas não admito que algo assim ainda aconteça hoje em dia, tamanha crueldade e estudipez...
Bom, por hoje é só...falei demais! rs

museu Jeu du Pomme (fotografia)

Museu Du Quai Branly -
tem um acervo arqueológico enorme

quarta-feira, 28 de março de 2012
2 meses de França
Primavera digna de flores por toda a cidade, arbustos verdes e pessoas maisalegres.Não sei se é impressão minha, mas sempre acho as pessoas mais "vivas" no calor. Eu sou uma delas!
Por aqui as coisas estão começando a ficar mais rotineiras.
Já comecei a falar pelos cotovelos, não que eu esteja no nível-PRO do Francês, digamos que estou na fase de falar o idioma até em pensamento..Dia 31 completo 2 meses de França, e começo a
sentir um turbilhão de sentimentos desde o simples: "parece que cheguei ontem" como
Este ano a escola completa 30 anos, ontem foi a abertura dos eventos de comemoração. Escola cheia de gente importante, muitas conversas regadas a coquetel farto de comidinhas e champanhe (nessa eu pasmei, esperava no máximo um vinho).
- No último fim de semana tivemos Carnaval em Arles. Ohhh minha gente, nem em sonho se parece com o que vemos por aí. Não sou uma amante de carnaval, mas deixando minha opinião sobre o feriado prolongado mais cobiçado pelos brasileiros.. foi tão tranquilo que foi
- Outro dia pensei, quero comer algo que me lembre o Brasil. O mais próximo que consegui foi
a guacamole açucarada com cara de "nojinho". Pode?! rs
Mudando de assunto, no último post falei pouco sobre Paris e minhas primeiras impressões da cidade, né?









quinta-feira, 15 de março de 2012
capítulo 4
Amigos(as) a bordo, essa coisa de viver e relatar é um tanto trabalhosa.
Dias a fio estou juntando tempo e coragem para compartilhar um pouco do que tenho vivido por aqui, não por falta de vontade, é que, toda história só é interessante se quem conta sabe como atrair quem lê. Concordam?!
Antes de começar esse post (estive pensando), vamos deixar isso mais...interativo?! rs
Se eu souber o que vocês querem saber, perguntas, curiosidades... fica bem mais fácil e "interessante". Então, se você que está me acompanhando nessa aventura e tem algo a dizer, por favor, não se acanhe e escreva nos comentários. Combinado?! Nos posts seguintes eu esclareço.
Sobre a vida de estudante:
Ser estudante tem suas inúmeras vantagens, aqui na cidade ando com uma declaração da escola falando que sou residente pra onde quer que eu vá, virou um anexo do meu passaporte. E isto me dá direito e livre acesso aos museus e patrimônios tombados pela UNESCO como: Arena, Teatro Antigo, Les Thermes de Constantin (uma espécie de local destinado ao "banho" público, para nobres, claro..com água quentinha e muito estilo).
Outro detalhe é que para passagens de trem existe uma carta chamada 12-25 anos que dá desconto de até 60% em passagens por toda a França. Tudo bem que para adquirir esta carta é preciso desembolsar 50 euros (uma facada), mas na primeira passagem que comprei já tive 100% do retorno.
E não poderia ter um destino melhor do que, Paris!
Viagens de trem diferente do que eu imaginava são carinhas e para quem tem uma longa estadia na França vale a pena investir numa carta que tem validade de 1 ano. A única observação é que tem que ter vínculo com uma instituição na França e estar entre a faixa etária atingida pelo programa 12-25 anos.
Voltando da realidade Parisiense, muito glamour, cultura, artes, comida boa, gente bem vestida, turistas pra dar e vender.. hora de pensar no Projeto, em Arles.
O pessoal anda correndo, este ano a escola comemora seu 30º aniversário, está recheada de ótimas programações, workshop, visitas, festas, muita informação!
Além disto, os alunos estão aquecendo os "motores" para expor seus trabalhos em alguma exposição coletiva, paralela ao festival nacional de fotografia (julho).
Depois conto mais detalhes sobre isto, não temos todas as definições por enquanto.
fotos de Paris,


o que tenho feito por aqui..





Um beijo,
nos encontramos em breve.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
episódio 3
Oii, tudo bem?
Por aqui (se eu disser maravilhoso estarei exagerando, vou com um simples e educado, bem) tudo bem.
Não me encare como uma pessimista ou sem entusiasmo, é que chega um momento que a euforia passa e você se acostuma com a "vida nova", mesmo que seja por alguns meses. E no fundo eu sei que o que estou vivendo aqui vai me marcar pra sempre.
No último post comentei que falaria mais sobre: micos, comida, saudade, a casa e festas.
MICOS:
Bom, não vou lembrar de todos porque são muitos (pausa para um sorriso amarelo), sério sem exageros agora. Vamos aos mais marcantes,
- como quando, em um belo dia acordei e passando no corredor para usar o banheiro um (dos vários) morador da casa me pergunta: "ça va?".
Gente eu tinha acabado de acordar e o cara me pergunta, "já vai?" respondi indignada com a pergunta, como assim já vou, acabei de acordar! Então disse: é, é to indo ao banheiro. Detalhe, respondi em espanhol, e estou na França. Mas ok, ele entendeu! rs
Importante comentar que "ça va?" é o habitual, "tudo bem?", mas que parece "já vai?" isso parece!
Pausa para um P.S: quem já morou fora por um tempo sabe, a gente literalmente surta até a cabeça se adaptar a nova língua, logo, usamos todas as referências que temos para se comunicar. Aliás, essas referências estão me salvando de cada uma! rs
- desde que cheguei confundia a palavra "merci - obrigado" com "pardon - desculpa" na hora de usá-las. Então, sempre que esbarrava em alguém na rua ou pedia passagem, soltava logo um "merci" com gosto. Mas, como assim alguém agradece por ter esbarrado em outra pessoa?! E só caia a ficha depois que falava.. rs
- fui em um restaurante almoçar, animada que só, era domingo, meu primeiro restaurante na França. Fiz meu pedido, agradeci, comi e estava delicioso! Na hora de pedir a conta, esqueci qual era o nome em francês, olhei na bolsa e meu livrinho (salva vidas - com todas as palavras de português para francês) não estava na bolsa. Pensei, sinal de dinheiro deve ser igual no mundo inteiro.. e comecei a fazer mímica pro cara, sinal de dinheiro com a mão e nada. Levou uns 2min (eternos) para ele entender o que eu queria.
Então ele disse: "L'addition Mdlle?". Eu com sorriso amarelo fiz que sim com a cabeça, esbanjando toda convicção que me restava, paguei e fui embora rapidinho. Até passar pela porta e vê-lo morrendo de rir de mim lá dentro.
COMIDA
Sempre gostei de cozinhar, quando era pequena ficava agarrada na minha mãe, sempre perguntava os passo-a-passos das receitas. Gosto de inventar comida diferente e lá pelo meu segundo ano de faculdade comecei a cozinhar comida de outras nacionalidades, principalmente japonesa.
Até ai, ok. Mas, quando cheguei aqui, minha vontade era de cozinhar muito, só que ao contrário.
Até cheguei a dar uma olhada no restaurante universitário da cidade (vendem 10 refeições por 30 euros), fazendo cálculos complexos conclui que ninguém faz uma refeição só por dia (até aqui nenhuma novidade), e que de qualquer jeito eu teria que enfrentar o fogão.
Lá fui eu pro mercado, decidida a gastar o tempo que fosse para encontrar comidas amigáveis e baratas. Logo que comecei a "surpresa", queijo, massa, pão, vinho.. muito barato, carne, frango, peixe, literalmente um roubo!
Passei por uns "perrengues", no começo não foi fácil, até começar a encontrar coisas que pudessem ser substituídas. Até conhecer a feira livre aos sábados, tradicional "Marché" que vende desde queijo, maça, alface até perucas, sim, perucas.
SAUDADE:
Engraçado, algumas pessoas já haviam comentado comigo, mas sentir na pele é outra história.
Quando você está longe suas emoções afloram, é tudo muito intenso, felicidade demais, tristeza demais, animação demais. Tudo muito ÃO!
As vezes dá saudade do cheiro do feijão da mãe, voz dos sobrinhos, perfume do pai, risada dos amigos e principalmente dos abraços, mas com os dias vem também o equilíbrio em saber que isto é momentâneo. E é tanta novidade, que o desafio da saudade fica para as horas de luz apagada, quarto vazio e edredons gelados.
A CASA, FESTAS:
Já comentei sobre a casa por aqui, e nessa época com calefação, é uma casa perfeita.
Por outro lado vamos combinar que manter a ordem e a limpeza com 7 pessoas, é no mínimo complicado.
Entre as refeições é fila para usar o fogão, para lavar louça. Fila para lavar a roupa na máquina, usar o varal. Ainda bem que banheiro tem pra todos. rs
Toda sexta-feira tem festa, em casas aleatórias dos estudantes da faculdade.
Lembrando que eles dançam até sem música, e curtem uma bebidinha.. juntou 3 ou mais, já é festa!
A cidade é pequena, então festas improvisadas são bem-vindas por aqui.
Vou ficando por aqui. Até o próximo encontro!
bisous et à bientôt.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
notícias quentinhas..
Oii,
Quanto tempo né?!
Pretendo não demorar muito entre uma postagem e outra, além de perder muita informação, o post seguinte sempre ficará enorme e exaustivo (pra vcs e pra mim).
E por aqui cada dia um desafio novo! Tem dia, que sem "zueira", minha cabeça dói, tico e teco estão trabalhando dobrado (e logo eles que estavam pensando em ócio criativo na Europa. Que dó!). Mas estou bem melhor no idioma, participando de algumas aulas na faculdade.. conversando mais.
Falando em faculdade este post será dedicado para comentar sobre detalhes daquele lugar que dominará meus próximos 5 meses, "L'école Nationale Supérieure de la Photographie":
o que tem:
- impressoras "bacanérrimas"
- laboratório PB
- laboratório cor
- biblioteca "surreal"
- gente maneira, simpática e descolada de tudo que é canto do mundo
No início da semana passada apresentei meu portfólio no seminário crítico para residentes e alunos do segundo ano. Os alunos se reúnem com um professor em uma sala e cada aluno por vez vai mostrando o que tem desenvolvido, seja em vídeo, impresso, virtual, deixando sempre a criatividade rolar. Teve até um aluno que mostrou seu trabalho com projeção sobre uma placa de alumínio...
É normal cada aluno comentar sobre o trabalho do outro, opinar, interagir e sugerir referências, tudo intermediado pelo professor. Esses encontros são descontraídos e duram 2 dias inteiros com pausa pro almoço e cafés entre manhã e tarde.
As aulas aqui são em período integral, mas com um cronograma muito aberto, tem dia que não tem aula, ou tem conferência e todos os anos podem participar.
O curso é de 3 anos, mas antes de ingressar o aluno deve ter feito pelo menos 2 anos de outro curso de graduação, logo 5 anos de faculdade.
E nem tudo são flores, para usar o lab pb por exemplo, tem que ter seus próprios químicos, papel fotográfico, tudo pode ser comprado pela internet e recebido em casa. Para impressões, precisa ter um cartão (comprado na escola mesmo e os preços variam dependendo dos tipos de papéis e impressoras).
E sabe o que é mais legal?! A estrutura é ótima, não tem do que reclamar, mas isso está diretamente ligado à educação deles em zelar pelo patrimônio coletivo, desde os equipamentos até os livros. Rola até um esquema de empréstimo de equipamentos da faculdade para o aluno, pode ficar uma até duas semanas com câmeras de médio e grande formato, acessórios.. em casa ou até viajar.
O analógico ainda é um bebelô, não um mito.rs Todos, sem exceções, fotografam muito com câmera analógica. Não digo só pelos alunos, mas a cidade respira fotografia! Com inúmeras exposições, eventos ligados a fotografia, feiras e o tão comentado: "Encontro anual de Fotografia de Arles" (clique aqui para saber mais).
E nesse processo de "respirar fotografia", percebi que no Brasil mal produzo projetos pessoais, todos são oriundos de disciplinas da faculdade ou com fins econômicos, e aqui os projetos são SEMPRE pessoais. Bom, cada macaco e didática no seu galho, essa intereção será boa para aumentar minhas referências imagéticas. E experiências transculturais são sempre enriquecedoras em todos os âmbitos.
Com essa chuva de referências e vivências estou com ideia de 4 trabalhos pessoais (pra quem não fazia isto "em casa", acho que peguei o jeito da coisa..rs), um deles, o oficial - que apresentarei no Brasil quando retornar, fala basicamente sobre Arquitetura Romana. Mas com o tempo vou falar melhor sobre eles (4) por aqui, precisam ficar mais maduros e concretos primeiro! rs
Podem brigar comigo, ao escrever esse post percebi que não tirei nenhuma foto da escola.. no próximo eu coloco. Por enquanto, fotos novas da cidade:
No próximo encontro vou falar:- micos
- comida
- saudade
- vivência, casa, festas..
À bientôt,
Shay
























